No Ginásio Municipal de Esportes Professor Hugo Ramos, em Mogi das Cruzes, o esporte paralímpico vai muito além da quadra e arquibancadas: torna-se um verdadeiro espaço de capacitação, inclusão e transformação. Dos dias 15 a 18, a cidade recebe a 16ª etapa do Programa de Desenvolvimento Paralímpico, iniciativa promovida pela Secretaria Estadual de Esportes em parceria com a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Nos últimos anos, Mogi das Cruzes passou a ser reconhecida no estado de São Paulo como uma das cidades com forte atuação na área do paradesporto, tanto na formação de profissionais quanto na promoção de atividades esportivas voltadas para pessoas com deficiência.
O Programa de Desenvolvimento Paralímpico oferece formação teórica e prática em oito modalidades paralímpicas: natação, atletismo, vôlei sentado, goalball, halterofilismo, futebol de cegos, entre outras. A proposta é contribuir com a qualificação de profissionais que atuam, principalmente, em escolas. Mais informações em paralimpico.com.br.
Para a professora Jaqueline Gonçalves, que participa da capacitação, o programa representa uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. "Como pessoa com deficiência, vejo no programa paralímpico uma forma de ampliar meu conhecimento. As aulas vão além da prática esportiva, elas contribuem para a minha formação integral", afirma.
Já o estudante Pedro Henrique Oliveira, 21 anos, destaca como a vivência com o esporte paralímpico pode transformar a atuação de futuros profissionais de Educação Física. "É uma chance de entender o esporte como ferramenta de inclusão, mas também como possibilidade de alto rendimento. A formação é importante tanto para quem pratica quanto para quem vai trabalhar com o paradesporto no futuro", comenta.
Enquanto os participantes se capacitam, paratletas como Geraldo Silva, de 54 anos, mostram como o esporte pode ser um meio de superação. Após um acidente, ele encontrou no atletismo uma nova forma de se manter ativo. “Achei que minha vida seria mais limitada depois da lesão, mas o atletismo mudou minha rotina. Hoje pratico quase todos os dias e incentivo outras pessoas a fazerem o mesmo.”
Geraldo Silva, Jaqueline Gonçalves e Felipe Silva são atletas paradesportivos de Mogi das Cruzes
Geraldo ainda reforça a importância de professores preparados. "Quando o educador conhece o esporte paralímpico, o aluno se sente mais seguro para participar. No começo da minha trajetória, não havia essa estrutura. Ter profissionais capacitados faz muita diferença."
O Programa de Desenvolvimento Paralímpico já passou por mais de 15 cidades no estado de São Paulo e desde janeiro de 2023 formou mais de 11 mil profissionais. Para a secretária estadual de Esportes, coronel Helena Reis, a iniciativa contribui com a ampliação do acesso ao esporte. “Cada profissional capacitado é um agente de inclusão. O Brasil tem destaque internacional no paradesporto, mas é na base, nas escolas, que começamos a construir esse caminho”, afirma.
Próximas etapas do programa:
Lorena - 22 a 25 de julho
Carapicuíba - 29 de julho a 1º de agosto
Jaú - 5 a 8 de agosto
Orlândia - 26 a 29 de agosto